Chegamos a mais uma eleição. Essa já é a 14º após o fim da ditadura militar, caso minhas contas estejam certas. O fato é que hoje podemos eleger nossos representantes para o exercício das funções no Executivo e Legislativo. Digo isto porque desde a Grécia antiga, a humanidade procura a melhor forma de gerir os conflitos e as convergências sociais. São milênios de busca e me parece que ainda não encontramos a fórmula perfeita.

A grosso modo, tivemos duas grandes concepções vigentes: a aristotélica-platônica e a maquiaveliana. A primeira versa que o interesse coletivo é mais importante que o individual, embora aceite que a felicidade privada é possível, mas momentânea. No caso de Platão, surge a primeira perspectiva utópica de Estado, manifestado na república ideal. Já para Maquiavel, vivemos em constante conflito entre grupos antagônicos, onde o governante de plantão delibera a partir da sua manutenção no poder. Já os opositores, agem visando chegar no poder. Talvez Marx tenha feito uma síntese entre ambas as perspectivas, unindo o ideal de edificar uma sociedade onde o interesse coletivo se sobrepunha ao particular e conceba a sociedade como um agrupamento onde os opostos lutem pelo poder.

Entretanto, vivemos em uma época onde há a radicalização do individualismo e há quem afirme que o interesse privado esteja se estendendo para o público. Provavelmente isso explique porque os BBB’s da vida fazem tanto sucesso, já que o particular torna-se espetáculo e invade o espaço público. Tem que defina isso como hipermodernidade.

Por que estou falando isso? Tenho percebido que há um desprezo, por parte de parcelas da sociedade, uma decepção com a democracia. Posso até concordar que existe, na classe política, representantes que usurpam o bem público para fins não públicos. Mas será que isso justifique este desprezo? Ou será que a crítica à democracia e a seus órgãos se dá porque o interesse privado é mais importante que o público?

Certa vez estava conversando com amigos, eu expus o seguinte raciocínio: é muito cômodo para quem tem seu emprego fixo, ganha uma renda que dá para sustentar as despesas básicas, chegar e dizer que político é tudo ladrão e que num acredita mais na política. Ainda mais se essa mesma pessoa não depender das políticas sociais do Estado para sobreviver. Não vou entrar no mérito se esta mesma pessoa declara corretamente o imposto de renda ou paga um bom salário para seus funcionários ou se respeita as outras pessoas do mesmo jeito que quer ser respeitado. Isso não convém para o momento.

É por isso que sou um apologista da democracia e defendo ferrenhamente a obrigatoriedade de todos votarem. Essa é a única vez oportunidade que todos tem em participar, opinar e decidir sobre as coisas de interesse público. Esse é o principal momento onde a democracia é exercida. Essa é a forma que temos para homenagear todos aqueles que tumbaram lutando contra as diversas ditaduras que tivemos no Brasil. É o melhor regime de participação política? Confesso que não, penso que precisamos aprofundar a democracia brasileira na direção de torná-la mais direta possível, mas até para que isso ocorra precisamos votar e não ficar resmungando a espera da perfeição.

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