Pobres-e-ricos-300x216Marx e Engels, quando escreveram a Ideologia alemã, em meados do século XIX, jamais imaginaram que esta obra tornar-se-ia um ótimo instrumento para a análise da realidade social. Satirizando a polêmica entre a visão idealista e a materialista de mundo, os fundadores do socialismo científico perguntam se nós afundamos em um rio porque temos a ideia de gravidade ou porque está força no puxa para baixo. Nada mais irônico.

Relato este pequeno fragmento motivado pelo que temos vistos nos meios de comunicação da denominada grande imprensa – leia-se Rede Globo, Folha de São Paulo, Estadão e Grupo Abril. Parece que vivemos em uma crise econômica, política e de valores e que estamos a beira do apocalipse. Nada presta.

Mas é compreensível que estes órgãos de comunicação expressem tanta fúria, ainda mais quando os partidos políticos oposicionistas (DEM, PSDB e PPS) encontram-se cada vez mais fragilizados, do ponto de vista da representação política. Talvez seja por isso que a Presidente da ABERT tenha dito, em um seminário, que a imprensa cumpre o papel da verdadeira oposição. Nada mais simbólico.

O que me deixa espantado é a inércia da situação. Liberados pelo Partido dos Trabalhadores (PT), a esquerda política brasileira precisa manter seus postos no flanco institucional, mas também precisa disputar a agenda política nas ruas.

Essa tarefa não é apenas dos partidos (PT, PCdoB, PSB, PDT) e dos aliados governistas, especialmente o PMDB, mas também das entidades do movimento social (UNE, UBES, ANPG, Centrais Sindicais, MST, etc.), dos intelectuais progressistas e de todos aqueles que depositam suas esperanças, por dias melhores, na coalizão que governa o país, desde 2002.

Não é aceitável que, em um ano onde a Presidenta Dilma comprou a briga com os bancos, reduziu o custo da energia, manteve a política de isenção fiscal, aumentou o crédito, diminuiu os juros, criou o programa Brasil Carinhoso, tem lutado para a destinação dos royalties do Pré-Sal para a educação e que a base governista teve uma estrondosa vitória eleitoral, a pauta majoritária das rodas de bate-papo seja a ditada pela dita grande imprensa.

Talvez o velho e bom Marx, como também seu parceiro intelectual Engels, não imaginava os desdobramentos que o conceito de ideologia teria, ainda mais com a invenção dos meios de comunicação de massa (rádio, TV, cinema, etc.). No entanto, os criadores do marxismo tinham ciência que, em uma sociedade dividida em classes sociais, a correlação de forças também é medida pela disputa ideológica.

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