Natal_capitalista1 (1) (1)Que o Natal é um festejo popular que estimula valores como a solidariedade, a fraternidade, o amor ao próximo, não resta dúvida, muito embora não haja a necessidade de ser cristão ou adepto de qualquer credo religioso para praticar o espírito natalino.

Entretanto, o que tem sido visto, com a elevação do padrão econômico das famílias brasileiras gerado nos últimos 10 anos, é a conversão do espírito natalino.

Rousseau, já no século XVIII, detectou que a propriedade privada e o progresso das ciências perverteram o homem, no sentido de torná-lo moralmente corrompido. Para o genebrino, o homem vivia perfeitamente em um estado moral, sem cobiça, inveja, luxuria, egoísmo e outros males possíveis.

O autor de O Emílio advoga que uma reforma moral para a humanidade, onde se possa caminhar paralelamente o progresso econômico e científico com a moral perdida, faz-se necessária. A moral defendida por ele é aquela possivelmente encontrada no homem no período em que denomina de estado de natureza, época onde a corrupção dos valores inexistia.

Contudo, com o avanço do capitalismo e a reificação da mercadoria, pode-se afirmar também que o Natal virou uma mercadoria.

Projeta-se crescimento em diversos setores da economia. Um aquecimento que derrete até a neve. Comerciantes fazem promoções, lojistas encarnam a simpatia, empresários sorteiam prêmios, publicitários criam propagandas que mostram a perfeição das mercadorias.

E o bom velhinho? Bem…o Papai Noel também entra no clima. Cada loja, shopping tem o seu. Sorrisos, abraços e fotos fazem parte da labuta diária deste personagem. A função dele é propagar a ideologia consumista, especialmente para as crianças. Quem nunca ouviu a história contada pelos pais ou algum familiar: ‘Comporte-se direitinho e passe na escola que, no final do ano, Papai Noel vai te dar um presente.’

Por outro lado, o consumo natalino gera empregos, aumenta o lucro das empresas, crescimento na arrecadação de impostos e uma alta na produtividade. É um fenômeno que produz benefícios para a economia.

Rousseau, na sua formulação, talvez não dimensionasse o efeito real que a Revolução Industrial iria causar. Parece que o capital venceu o projeto rousseauniano. Resta agora adaptarmos à esta realidade ou inverter a lógica produzida pelo capital sobre as pessoas. Que caminho seguir?

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