Depois de alguns dias sem escrever nada, decidi voltar ao cenário virtual.
Nesse meio tempo, diversos fatos aconteceram: renúncia do Papa Bento XVI, carnaval, eleição dos presidentes da Câmara dos Deputados e Senado Federal, enfim, assunto não faltou. Entretanto, não podia deixar de comentar sobre a fundação do novo PARTIDO político brasileiro, o Rede Sustentável, criado pela ex-Senadora Marina Silva e que agrega pessoas como a também ex-Senadora Heloísa Helena e o empresário Guilherme Leal, dono da Natura.
Em seu manifesto de lançamento, esta agremiação partidária nasce negando a política e os partidos político, como também afirma que “não será um partido de esquerda, nem de direita” e que não são um partido governista ou oposicionista, mas sim um partido com posição. Parece que o PSD, de Gilberto Kassab e da Senadora ruralista Kátia Abreu, fez escola.
Entretanto, a falácia que tende a seduzir mais os simpatizantes-eleitores está na nomenclatura da nova legenda partidária, a saber, ‘Rede’. Além de passar uma ideia de interligação de pontos, horizontalidade entre os seus integrantes, solidariedade entre os pares, etc. e tal. Essa lenga-lenga me faz lembrar setores que compõem o interior do Fórum Social Mundial, que negam os velhos movimentos sociais, como os sindicatos e os partidos políticos, e se autoproclamam o novo, o atual, o único capaz de agregar as pessoas em um mundo cada vez mais unido pela virtualidade da internet.
Todavia, essa concepção nega a existência dos partidos políticos, tão bem definido por Norberto Bobbio, em seu livro Estado, governo e sociedade: “Na verdade, um dos modos mais frequentes de definir partidos políticos é o de mostrar que eles cumprem a função de selecionar, portanto de agregar e transmitir, as demandas provenientes da sociedade civil e destinados a se tornar objeto de decisão política.” Já em seu Dicionário de política, o italiano cita Weber e define da seguinte forma: “É Uma associação que visa a um fim deliberado, seja ele ‘objetivo’ como a realização de um plano com intuitos materiais ou ideais, seja ‘pessoal’, isto é, destinado a obter benefícios, poder e, consequentemente, glória para os chefes e sequazes, ou então voltado para todos esses objetivos conjuntamente. Esta definição põe em relevo o caráter associativo do partido, a natureza da sua ação essencialmente orientada à conquista do poder político dentro de uma comunidade, e a multiplicidade de estímulos e motivações que levam a uma ação política associada, concretamente à consecução de fins objetivos e/ou pessoais.”
Concordo que há um certo “esgotamento” da ideia moderna de partido político, até porque uma parte deles existe através do fisiologismo e do conchavo político. Mas negar os partidos políticos é uma discrepância descabida.
O certo é que Marina Silva e seus correligionários procuram tornar, em força orgânica, os 20 milhões de votos que ela obteve na última eleição presidencial, em 2010, dando-lhes uma estrutura partidária, um programa político e, principalmente, tornando-se em um agrupamento partidário no sentido estabelecido por Norberto Bobbio.

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