praca_tiradentesHá exatos 221 anos morria José Joaquim da Silva Xavier, mais conhecido como Tiradentes. Em plena praça pública, o jovem dentista era enforcado pela monarquia portuguesa que colonizava o Brasil, desde o ano de 1500.
Se o ato em si já nos parece conter um elemento aterrorizante, a motivação que fez a coroa lusitana promover esse assassinato é o que tornou Tiradentes ser um dos principais personagens da história brasileira.
Na época, ele, Padre Rolim, Alvarenga Peixoto, Thomas Antônio Gonzaga, Claudio Manoel da Costa, o delator José Silveiro dos Reis e outros personagens lideraram uma rebelião contra Portugal, tendo como elemento reivindicatório a redução dos impostos. Entretanto, o componente econômico era o estopim para a transformação mais profunda. Os inconfidentes, como ficaram designados, queriam tornar a província de Vila Rica, atual cidade de Ouro Preto-MG, em uma região independente.
Inspirados pelos ventos que ecoavam na Europa e nos EUA, os inconfidentes dimensionavam instalar uma República em nosso país, alicerçada em valores Iluministas.
Mas porque essa digressão temporal? Após 190 anos da independência de Portugal e pouco mais de 120 da proclamação da República no Brasil, ainda se faz necessário a efetivação do legado inconfidente. Isso é justificado devido ao cenário político, econômico e cultural em que o país vive atualmente.
Do ponto de vista econômico, estamos caminhando para ser o 5º país mais rico do mundo, como também trilhamos para o extermínio da pobreza e para nos tornarmos um país economicamente menos desigual. Além disso, saímos da condição de devedores internacionais para a de credores junto aos organismos financeiros internacionais.
Sob o prisma político, a nossa jovem democracia procura fortalecer o aparato estatal, através da universalização dos direitos básicos para todos, como o emprego, a saúde, a educação, a segurança pública, o transporte e a habitação. Acrescenta-se o fato de que temos eleições regulares, muito embora a participação popular na tomada de decisões e o fortalecimento da democracia representativa ainda precisam de aperfeiçoamentos.
Porém, quando o assunto é o processo civilizatório, vivemos em um eterno impasse. Se de um lado somos protagonistas nas pesquisas com células-tronco, ainda resistem dogmas anti-cientificistas e medievais no seio da sociedade. Se somos um país que não há conflitos bélicos internos, ainda resistem sentimentos vinculados ao ‘Código de Hamurabi’. Se somos receptivos com povos de diversos cantos do planeta, ainda reproduzimos o machismo, a homofobia, o preconceito contra os negros, os pobres e os denominados “paraíbas” (habitantes das regiões norte e nordeste do Brasil). Se temos uma diversidade cultural sem igual no mundo, ainda continuamos a reproduzir estereótipos importados e que em nada representam a singularidade do povo brasileiro. Se somos um país laico e que garante a diversidade religiosa e o direito a não-crença, ainda reside forças que tentam, diuturnamente, impor uma única crença religiosa para todos.
Talvez a morte de Tiradentes e a luta dos inconfidentes tenha nos deixado o legado mais nobre que se pode ter, a herança de que precisamos lutar constantemente por um país que seja livre para todos os seus cidadãos.

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