educacao_0Desde o início da modernidade, a aliança entre processos educacionais e a formação para o trabalho tem pautado as práticas educativas. Nos primórdios do século XVI e sob forte influência do pensamento de Lutero, a Inglaterra inicia este procedimento através das denominadas Escolas de caridade, local financiado pelo Estado, mas dirigido pela Igreja reformada. A função principal destes estabelecimentos de ensino era moralizar as crianças órfãs e/ou abandonas através dos dogmas cristãos, mas ao mesmo tempo aprender um ofício.
Com o advento da Revolução Industrial, na mesma Inglaterra, a necessidade de formação de mão-de-obra especializada tornou-se em algo imperativo. Posteriormente, filósofos como Adam Smith, Karl Marx, Milton Friedman desenvolveram suas argumentações educacionais focando no binômio educação-trabalho.
A tradição marxista difere das concepções liberais contemporâneas em um aspecto: enquanto a primeira foca na libertação do homem da opressão do capital, a segunda valoriza a formação profissional para propiciar o acumulo do capital.
Todavia, o desenvolvimento tecnológico, o aumento da expectativa de vida dos seres humanos e a crescente produção de riqueza tende a pôr em cheque este binômio que tem concebido diferentes concepções educativas.
Talvez estamos chegando a uma época em que o trabalho seja uma breve etapa na vida da maioria das pessoas. Na Europa e nos EUA é comum um jovem ingressar no mercado de trabalho com idade aproximada de 30 anos. Esta realidade poderá ser nossa, brasileira, a curto prazo, principalmente se conseguirmos universalizar o ensino médio e aumentarmos as vagas no ensino superior.
Agrega-se a esse fato o crescimento do tempo médio de vida de cada brasileiro, resultado, principalmente, do aumento do poder aquisitivo de boa parte da população brasileira.
Ora, mantido a atual idade máxima para se aposentar e a diminuição da taxa de natalidade, o Brasil poderá encontrar uma realidade onde o aumento da produtividade e escassez de mão de obra seja algo real.
Estas informações projetam para uma realidade distinta da que temos hoje em nosso país, o que torna possível realizar reflexões que conduzam a uma proposta educativa que seja centralizada no não-trabalho.
Nesse contexto futuro, pode-se pensar em uma educação que inicie na tenra idade e seja prolongada até a denominada “terceira idade”.
Que considere o fortalecimento das relações sociais em detrimento da competitividade entre as pessoas.
Onde os conteúdos educativos fortaleçam o conhecimento científico dos fatos e contribua para a ação racional, diante de uma sociedade cada vez mais diversificada.
Contribua com a saúde, criando uma cultura que valorize a prática de exercícios físicos.
Pensar em uma educação que tenha o ser humano livre como eixo central, e não o trabalho, é o caminho para a educação do futuro, uma educação para o não-trabalho.

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Um comentário em “Educação para o trabalho ou educação para o não-trabalho?

  1. A educação tradicional, tal qual conhecemos, é baseada na formação de mão-de-obra. Essa relação entre escola e trabalho necessita ser rompida. A educação deve ter como princípio a construção do indivíduo como um todo, com autonomia e pensamento crítico.
    A valorização da formação profissional submete o ser a uma lógica de mercado para a qual devemos estar preparados para nos enquadrarmos em perfis e papéis esperados.

    O tema aqui tratado é de uma riqueza enorme, porém senti falta de um aprofundamento maior acerca da proposta da educação para o não-trabalho, pois entendo o assunto, resumidamente, como uma diminuição da quantidade e do ritmo de trabalho, propiciando uma maior qualidade de vida ao trabalhador diante dessa perspectiva autônoma e crítica citada anteriormente. Porém leitores podem ter uma visão equivocada desta interessante e abrangente dissertação.

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