frase-do-fanatismo-a-barbarie-nao-ha-mais-do-que-um-passo-diderot-146354 Diderot, na sua obra intitulada Plano de uma Universidade, relata que educar um povo é civiliza-lo. Ciente de que o progresso social e econômico iam ser erguidos com base no conhecimento das ciências e das artes, o enciclopedista foi um ferrenho defensor do direito da educação para todos. Na sua análise o filósofo francês combateu o obscurantismo que caracterizava a sociedade francesa, em especial, o misticismo, o fanatismo e o autoritarismo.
Contudo, essa esperança depositada na educação perdurou pouco menos de dois séculos. Com a explosão da 2º grande guerra mundial e a instalação dos campos de concentração na Alemanha, o país, até então considerado o mais culto da Europa, transformou-se em um dos maiores canteiros para o extermínio de seres humanos que se tem notícia.
O filósofo crítico Theodor Adorno aponta a exigência de que a educação deve ter como meta a não reprodução de Auschwitz, por considera-la como símbolo máximo da barbárie humana, embora reconheça que barbárie encontra-se no princípio civilizatória.
Faço esse preâmbulo para desmistificar a ideia de que educação, por si só, significa existência de um estado civilizatório.
Digo isso para poder tentar compreender o porquê, em uma época onde temos a universalidade do ensino fundamental, pouco mais de 50% de nossos jovens estudando o ensino médio e a expansão do ensino superior, ouve-se e vê-se tanta barbárie acontecendo em nosso país.
Percebo e existência de alguns motivos. O primeiro deles é a deficiência da nossa justiça que não consegue suprir as demandas. Outro aspecto é a radicalização da individualidade em contraposição à sociabilidade, o que acarreta na edificação de uma sociedade egoísta. Há, também, um certo sentimento de onipotência que é caracterizada pela sensação de que tudo pode ser feito, custe o que custar (nenhuma alusão ao programa CQC).
Agora, o que mais me chama a atenção é o fato de vivermos em uma sociedade religiosa e majoritariamente cristã (católicos e protestantes). Não quero aqui atribuir à religiosidade a causa de tanta barbárie, mas ponderar o argumento cristão de que a caridade, a fraternidade, o perdão, a solidariedade e todos os aspectos morais que podem ser atribuídos a um indivíduo são garantidos por causa da opção religiosa que cada um adota. Tenho certeza que moralidade e religiosidade não são irmãos siameses como tantos alardeiam por aí.
Enfim, a dialética entre a barbárie e a civilização tão propalada pelos teóricos críticos, especialmente por Adorno e Horkheimer, parece marcar a sociedade contemporânea.
Esperar que a solução venha do céu é cair no misticismo, logo, não me parece nada racional e humano, pelo contrário.
Por fim, me parece que essa equação – barbárie x civilização – será solucionada quando os indivíduos atuarem na sociedade de acordo com aquilo que lhes é mais humano, o usar da razão e do diálogo para equacionar os conflitos existentes. No entanto, tenho visto poucas evidências que caminhe para essa direção. Torço pelo meu engano.

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