1385400_432901353477787_2129119300_n Com a vaga garantida para a fase denominada de pré-Libertadores, o Botafogo retorna, após 17 anos, à disputar o principal torneio de clubes sulamericano. Embora a equipe da Estrela solitária paquere esta vaga desde 2007, somente agora este fato foi concretizado. Contudo, o que caracterizou o Botafogo em 2013?
Levanto alguns traços para tentar compreender esse feito:
1) O time teve a 12º maior receita entre os clubes brasileiros no ano de 2012, mesmo tendo uma evolução de 108% se comparado com os valores de 2011;
2) No ano de 2013, a receita com o futebol manteve-se no mesmo patamar, girando em torno de 122 milhões de reais e posicionando o Botafogo na 11º colocação entre os clubes brasileiros. Para se ter uma ideia comparativa, o Flamengo teve uma receita de 210 milhões de reais, ocupando a 4º colocação, e o Corinthians 358 milhões de reais, sendo o time de futebol que mais arrecada no país;
3) A diretoria do clube, conservando uma postura política herdada da gestão Bebeto de Freitas, manteve, para o ano corrente, o treinador Osvaldo de Oliveira e boa parte do elenco de 2012, além de ter reforçado o staff (médico, fisiologista, nutricionista, etc.) da equipe, tido como um dos problemas dos anos anteriores.
4) As despesas com os salários dos jogadores saltou de 3 milhões, em 2012, para 3,5 milhões em 2013.
Outros dados precisam ser considerados.
Com a interdição do Engenhão, no primeiro semestre de 2013, o Botafogo perdeu uma de suas principais fontes de receita. Segundo dados apresentados pela diretoria, o prejuízo gira em torno de 20 milhões de reais. Além disso, já havia a previsão de um patrocínio para o estádio, com a Volkswagen, na ordem de 30 milhões de reais/ano. Essa perda de receita fez com que o time tivesse dificuldades para honrar os salários e os direitos de imagens do elenco e forçou a redução dos custos com o futebol.
Outro aspecto a considerar é que as dívidas trabalhistas, que hoje é a segunda maior entre os clubes brasileiros, impediu o time de recuperar as receitas oriundas da venda de Andrezinho, Jadson, Felipe Gabriel, Márcio Azevedo e Vitinho. Paralelamente, times como o Flamengo (maior devedor do país) e o Vasco conseguiram a certidão negativa do INSS e obtiveram patrocínios milionários (estima-se que o do Flamengo gira em torno de 30 milhões de reais/ano) de um banco estatal. Algo bem curioso.
Todavia, mesmo diante de tanta adversidade, o time manteve o prumo. Campeão carioca de forma incontestável, o Botafogo conseguiu manter um padrão elevado de competitividade até o início do mês de setembro. A partir de então o Glorioso oscilou e muito, pondo em risco a tão sonhada vaga para a Libertadores 2014.
Penso que outros elementos devem ser analisados.
O primeiro deles, como já disse, foi a venda de jogadores relevantes do elenco, como os titulares Felipe Gabriel, Jadson e Márcio Azevedo, além dos reservas Andrezinho e Antônio Carlos. Até a principal revelação do time no ano, o jovem Vitinho, saiu do Botafogo e foi para o futebol ucraniano. Adiciona-se, a estes fatos, a contusão do lateral-direito titular Lucas (contundido no primeiro turno do campeonato no jogo contra o Grêmio, em Porto Alegre) e o meio-campista Cidinho.
Para “repor” o elenco, a diretória trouxe apenas o centroavante Elias e o meio-atacante Hyuri, ambos de equipes medianas do futebol carioca.
O segundo elemento que destaco foi a quantidade excessiva de jogos nos últimos três meses (setembro, outubro e novembro) do ano, totalizando 27 jogos. Na prática, era um jogo a cada três dias. Não há equipe que resista, ainda mais considerando o desgaste com as viagens.
Outro fator foi as constantes convocações de Jefferson e, principalmente, Lodeiro para as suas respectivas seleções. Óbvio que isso é importante para a equipe e para o jogador, mas pensando única e exclusivamente na equipe que tem um elenco limitado, isso pesa e muito.
Como elemento importante, penso, associa-se aos demais o fato de a equipe ter “perdido” alguns pontos por tremendo “vacilo”. Os três empates ocorridos no primeiro turno – nos jogos contra o Atlético-MG (em Belo Horizonte), Internacional e Flamengo (ambos no Maracanã) -, onde o gol do time adversário foi levado no último lance do jogo, mais as três derrotas (Ponte Preta, Bahia e Grêmio) no início do segundo turno, jogando no Maracanã, selaram a instabilidade da equipe no returno. Essa conta soma 15 pontos “perdidos”. Posso acrescentar o empate, novamente em casa, contra a Portuguesa, o que faz essa conta subir para 17 pontos. Isso mesmo, 17 pontos.
Acrescento, ao fator casa, a média de 11 mil torcedores por jogo. Muito pouco para um time que jogou muito bem, o ano inteiro, campeão carioca de 2013 e tem metade da sua torcida (estimada em 3,1 milhões) residindo no Rio de Janeiro. Falo isso porque quem me conhece sabe que não sou muito simpático à tese afirmativa de que torcida ganha jogo, mas descartar a sua importância dentro do estádio é um sinal de cegueira, pelo menos financeira. No último domingo os 35 mil botafoguenses presentes no Maracanã mostraram que a torcida pode ser o plus para qualquer equipe bem treinada.
Por isso que digo, 2013 foi o ano do Botafogo. Muitos foram os obstáculos, maior ainda a superação. Nem a famigerada eliminação da Copa do Brasil, da forma que foi e contra um dos principais rivais do Glorioso, pode apagar o brilho da nossa Estrela solitária.
A atual diretória, que terá o mandato finalizado no próximo ano, deixará, como legado, uma equipe estruturada, com superávit financeiro (excetuando a dívida com o INSS que encontra-se em negociação) e ainda teremos a volta do Engenhão no segundo semestre.
Falta um título de expressão nacional, mas tenho a ligeira impressão que é questão de tempo. Quem sabe o internacional não virá antes?!
Espero que sim.
Viva ao Botafogo!!!

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