40085_ext_arquivoDocentes e técnicos-administrativos das universidades estaduais paulistas deflagram greve por tempo indeterminado. Esta medida foi uma reação a deliberação do Conselho dos Reitores das Universidades do Estaduais de São Paulo (CRUESP) que congela o salário dos trabalhadores (docentes e técnicos-administrativos) da USP, UNICAMP e UNESP.

Segundo matéria publicada no jornal Estado de São Paulo, no dia 21/5, os reitores queriam dar o reajuste, mas o orçamento delas não iria suportar. Preferem esperar o repasse das verbas do Governo do Estado para poderem avaliar a possibilidade de reajuste futuramente.

Confira: http://www.estadao.com.br/noticias/vida,reitores-mantem-congelamento-de-salarios-nas-universidades-paulistas,1169552,0.htm

No entanto, é bom considerar alguns elementos para compreender melhor a realidade.

Segundo o CRUESP, o comprometimento do orçamento com a folha de pagamento atinge 94,47% na Unesp e 96,52% na Unicamp. Na USP, esse porcentual fica em torno de 105%

10312600_647925775285362_7085936616119088444_nOutro aspecto é que, nos últimos seis anos, o Governo do Estado de São Paulo deixou de repassar, aproximadamente, 2 bilhões de reais para essas universidades. Só em 2013, a cifra foi de 540 milhões de reais.

Confira aqui: http://www.adusp.org.br/index.php/campanha-salarial-2014cs/1921-mais-um-capitulo-na-sonegacao

O caso da USP tem uma peculiaridade. No último dia 28/4, o reitor divulgou uma carta afirmando a falta de transparência orçamentária na gestão de João Grandino Rodas (ex-reitor da USP) e que, desde 2012, a universidade perdeu R$ 1,3 bilhão de sua reserva orçamentária. A “poupança” é usada para os gastos que excedem o orçamento.

Confira aqui: http://www.estadao.com.br/noticias/vida,reitor-expoe-crise-e-diz-que-fundo-de-r-2-3-bi-da-usp-acabaria-em-2-anos,1159827,0.htm

Responsáveis por 43% da produção científica do país, a situação financeira das três universidades estaduais paulistas merece atenção.

Digo isso porque o fantasma da privatização reaparece no debate público.

O colunista da Folha de São Paulo, Hélio Schwartsman assume que o problema da USP é de gerenciamento, que esta universidade já provém dos recursos suficientes e não tem cabimento dela exigir mais verbas do governo estadual. Partindo da premissa que o benefício privado é muito grande aos egressos desta universidade, ele defende abertamente a cobrança de mensalidades, principalmente daqueles que cursam carreiras financeiramente promissoras, como Medicina.

Confira: http://www1.folha.uol.com.br/colunas/helioschwartsman/2014/05/1452359-o-buraco-da-usp.shtml

Depois foi a vez de Sabine Righetti. No último dia 12/5, ela publicou, no jornal Folha de São Paulo, sugestões para a USP sair da atual crise financeira. Começa citando a proposta de Hélio Schwartsman para cobrar mensalidade dos estudantes. Meio “constrangida”, a blogueira recomenda que essa cobrança fosse proporcional a renda dos estudantes e que, caso necessário, bolsas de estudos seriam concedidas aos estudantes carentes. Outras ideias sugeridas por ela são: cobrança de mensalidade nos cursos de pós-graduação lato senso e doações de ex-alunos.

Confira aqui: http://abecedario.blogfolha.uol.com.br/2014/05/12/usp-pode-sair-do-vermelho-sem-pedir-dinheiro-do-governo/

A última cartada aparece na Revista da FAPESP. Nela há uma reportagem abordando os chamados endowment funds, ou seja, fundos financiados por ex-estudantes. Segundo a matéria, tais fundos compõem uma experiência exitosa nas universidades americanas, como as renomadas Universidade de Harvard e Massachusets Institute Technolgy (MIT).

No Brasil, embora incipiente, universidades como a USP, a UFMG e a UFRJ possuem experiências similares. No Congresso Nacional há proposituras legislativas para facilitar a criação deste tipo de funda. A Revista da FAPESP menciona a proposta da deputada Bruna Furlan (PSDB-SP).

Confira: http://revistapesquisa.fapesp.br/2014/05/15/forca-das-doacoes/

Enfim, a combinação de arrocho orçamentário, a aparente crise financeira e de textos defendendo o fim da gratuidade no ensino superior público faz com que o fantasma da privatização reapareça.

A receita tucana para o ensino superior é a privatização. Isso todo mundo conhece. São Paulo continua sendo um laboratório para a implantação das políticas neoliberais em nosso país.

Por outro lado, a experiência brasileira ensinou, com base na última década, que o melhor antidoto contra a privatização é expandir o ensino superior público e gratuito. Só vermos a política de expansão das universidades federais.

Mais do que uma pauta economicista, a reivindicação por melhores salários é uma luta política.

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