A vitória de Eduardo Cunha (PMDB) para a presidência da Câmara dos Deputados era um cenário meio que previsível. Com o parlamento mais conservador, desde 1964, segundo o DIAP, era quase que natural os deputados elegerem um parlamentar com este perfil para presidir esta casa.

Confira aqui: http://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2014-10/mais-conservador-congresso-eleito-pode-limitar-avancos-em-direitos-humanos

O que não julgo como natural foi a incapacidade de o Palácio do Planalto reverter esta situação. Não faltou tempo. O próprio Eduardo Cunha iniciou a campanha dele em meados de outubro e início de novembro. Enfim, o fato é que o governo demonstrou não ter a agilidade necessária para intervir e modificar o curso natural da história.

Condições não faltaram. Tem a chave do cofre, a caneta que assina o Diário oficial, acabou de empossar os novos ministros. É muita inabilidade em um mesmo fato político.

Para piorar, entrou em rota de coalizão com o candidato do partido do vice-presidente da república e perdeu. Lançou o petista Arlindo Chinaglia (PT/SP) que não conseguiu manter coeso nem o próprio bloco parlamentar liderado pelo PT.

O meu ceticismo e o meu pragmatismo me recomendam a não entrar em desespero, muito menos propor algum tipo de ruptura política. Então, o que fazer? Resignar-se e ficar no eterno ‘mimimi’? Ir para o confronto político com o PMDB e os demais partidos governistas que não apoiaram a candidatura do petista? Recompor a base de apoio na Câmara dos Deputados?

A prudência recomenda que a recomposição da base política é a melhor saída. Talvez o preço seja meio salgado para os cofres públicos, mas também não sei se iria ser diferente se o presidente da Câmara fosse outro parlamentar.

No entanto, a pauta política que mobilizou a militância em torno da reeleição de Dilma tende a sofrer revés.

A lei que torna em crime hediondo a homofobia dificilmente será aprovada. A dita bancada da bala também irá aumentar o tom da voz e medidas como a redução da maioridade penal e a revisão do Estatuto do desarmamento tendem a ganhar força institucional.

A lei que visa regulamentar os meios de comunicação também será retardada. Pode ter a pressão de quem quer que seja. Não passa. Neste caso, caberá ao Governo Federal implantar mudanças significativas na comunicação governamental.

A dita reforma política poderá ter andamento. Esta, penso, há grandes chances de ser aprovada. O primeiro passo é o STF ratificar a proibição da doação financeira das empresas para as campanhas eleitorais, o que obrigará o Congresso Nacional a regulamentar a nova forma de financiamento eleitoral. Tenho a impressão que, com a atual composição da Câmara dos Deputados, o fim da coligação proporcional, a adoção da cláusula de barreira, o fim da reeleição para os chefes do executivo e o respectivo aumento no tempo do mandato.

Não custa lembrar que muitos deputados foram eleitos através do poder econômico, através do financiamento empresarial. Tendo a imaginar que isto foi uma reação aos adeptos da exclusividade do financiamento público nas campanhas eleitorais. É preciso ter consciência de que, para cada ação, uma reação será desencadeada.

Não estranharei se as duas medidas provisórias (MP’s 664 e 665) que regulamentam o seguro-desemprego sejam derrubadas parcialmente. Há o interesse, por parte do Palácio do Planalto, de corrigir algumas distorções e dos atuais congressistas de “fazerem a média” com o eleitor em início de mandato.

Já a batalha política tão anunciada pelos tucanos e difundida pela dita grande imprensa, que é o impeachment de Dilma, só ocorrerá se a situação econômica piorar e muito. Por mais que a Operação Lava-jato atinja deputados e senadores, o perfil de Eduardo Cunha (PMDB) é de jogar este tipo de ação embaixo do tapete.

Antes de terminar, penso que cabe ao núcleo político do Governo Federal, se é que existe, aumentar os canais de interlocução com as entidades representativas da sociedade e o parlamento. Não dá mais para a articulação política ficar enclausurada entre quatro paredes.

A luta pela hegemonia política é cotidiana. Torço para que o atual revés cumpra um papel pedagógico, principalmente para a cúpula do Partido dos Trabalhadores.

PS.:

1) A oposição PSDB-PSB foi outra grande derrotada na eleição para presidente da Câmara dos Deputados. A tática de levar o pleito para o segundo turno e se cacifar depois não funcionou.

2) Como nem tudo são lamentações, o candidato Eduardo Cunha (PMDB) declarou que não fará oposição ao Governo Federal.

3) Como dica para a leitura, compartilho outras análises sobre o fatídico 1º de fevereiro.

Avanços de pautas progressistas dependerá da participação da sociedade: http://renatorabelo.blog.br/2015/02/02/avanco-de-pautas-progressistas-dependera-da-participacao-da-sociedade/

Eduardo Cunha abre era regressiva: http://paulomoreiraleite.com/2015/02/01/eduardo-cunha-abre-era-regressiva/

Crônica de uma derrota anunciada: http://cartamaior.com.br/?%2FBlog%2FBlog-do-Emir%2FCronica-de-uma-derrota-anunciada%2F2%2F32772

A derrota se chama Dilma Roussef: http://www.conversaafiada.com.br/politica/2015/02/02/a-derrota-se-chama-dilma-rousseff/

Eduardo Cunha deve vitória a Dilma: http://www.blogdokennedy.com.br/eduardo-cunha-deve-vitoria-a-dilma/

O governo desaprendeu a travar a batalha da comunicação: http://cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/O-Governo-desaprendeu-a-travar-a-batalha-da-comunicacao%0A/4/32763

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s