O site UOL divulgou ontem, 01/09, que a UNESCO projeta a necessidade de o mundo ter 8,4 milhões professores até 2030.

Embora este texto não revele a demanda necessária para o Brasil, o Plano Nacional de Educação (PNE) traça metas concretas para o incremento quantitativo e qualitativo de docentes em nosso país.

A meta 15 determina que todos os professores que lecionam na educação básica (ensino fundamental e ensino médio) devem possuir nível superior. Atualmente, este incide beira a casa dos 67%.

A 16 estipula que 50% dos docentes deverão ter curso de pós-graduação scrictu sensu (mestrado) até 2024. Embora o PNE não diferencie se o mestrado é acadêmico ou profissional, o MEC, através da CAPES, tem incentivado a criação de diversos mestrados profissionais na área de licenciatura, como o ProfMat e o ProfLetras.

Contudo, embora o horizonte aponte para a expansão da oferta e para a melhoria da titulação do professor, a realidade tem demonstrado que este desafio não será fácil de ser concretizado.

Para citar um exemplo, a UFMG, uma das maiores universidades do Brasil, divulgou um estudo que mostra uma realidade alarmante. Mantida a atual tendência, não haverá, nos próximos cinco anos, candidatos a se formarem como professores. Enquanto o número de formandos diminui ano a ano, o abandono cresce, com índices que ultrapassam 50% em alguns cursos.

O último Censo do Ensino Superior detectou esta tendência. Em 2010, para cada 10 mil habitantes existentes no Brasil, havia 12,2 concludentes em cursos na área de Educação. Em 2013, este número caiu para 10.

Quando se avalia quem ingressou em licenciaturas percebe-se que a situação também preocupa. Com base no Censo do Ensino Superior, o professor Bruno Pucci, da UNIMEP, expôs números que nos trazem informações interessantes.

1) Tomando como parâmetros de análise os dados do Censo da Educação Superior do INEP/MEC de 2013, o total de alunos matriculados na educação superior brasileira aumentou quantitativamente, foi para 7.305.977.

2) A modalidade a distância, EaD, já atingia, nesse ano, 15,8% do total de matrículas em cursos de graduação, ou seja, mais de 1.150.000 alunos. No cômputo geral, os cursos de bacharelado representavam 67,5% das matrículas na educação superior; as licenciaturas 18,9%; e os cursos tecnológicos 13,7%.

3) Por sua vez, na EaD, 39,2% dos matriculados cursa licenciatura.

4) A rede privada é responsável por 74% do total de alunos dos cursos superiores de graduação. E, majoritariamente, os cursos nas instituições privadas acontecem no período noturno.

O professor Bruno Pucci (UNIMEP) conclui que a grande maioria dos futuros docentes do Ensino Médio, inclusive os da área ciências, é formada em uma IES privada e frequenta a faculdade/universidade no período noturno. Além do mais, cresce os licenciados formados por meio da EaD.

Com base no exposto, a formação docente tem vivido um paradoxo. Se de um lado a demanda por mais vagas e mais qualificação profissional é reivindicada pela sociedade e despertou a sensibilidade das políticas públicas, por outro, percebe-se o desinteresse dos jovens pelos cursos de licenciatura e os limites na formação daqueles que concluem este tipo de graduação.

Formar mais professores, qualificando-os do ponto de vista técnico e humanístico, é um dos maiores desafio para a realidade educacional brasileira. Além disso, é preciso atrair jovens habilidosos e criativos para a carreira docente, através de política apropriadas. Nossas crianças e adolescentes agradecem. A “Pátria Educadora” também.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s