O tema do FIES volta ao centro do debate político. Já não bastasse o corte de 100 mil bolsas para esse ano e o teto de 5 mil reais por bolsa concedida a cada estudante por mês, começa a ser ventilado o discurso de que as regras para a concessão da bolsa são rígidas, particularmente aquela relacionada à pontuação mínima a ser tirada no ENEM pelo postulante.

Não por acaso que o dono da Universidade Maurício de Nassau e o principal sócio do grupo   Ser Educacional, um dos maiores conglomerados empresariais que atua na área da educação em nosso país, José Janguiê Diniz, publicou um texto na edição de ontem, 08/02, do jornal Folha de São Paulo. Clique aqui para ler o texto completo.

Além do poderio econômico, Janguiê tem uma relação muito próxima com o atual ministro da educação, Mendoncinha (DEM). Confirma aqui e aqui para saber mais.

O empresário educacional conseguiu também emplacar o nome do economista Maurício Romão para a Secretaria de regulação e supervisão do MEC, órgão responsável pela licença e autorização para funcionamento de novos cursos. Maurício era, até a sua posse, funcionário do Universidade Maurício de Nassau. Clique aqui e confira.

Como se vê, Janguiê tem uma relação bastante próxima com o ministro da educação, o que pode impactar, provavelmente, nas políticas que estão sendo gestadas para a educação brasileira.

Contudo, o que vale para o presente momento, são os argumentos proferidos por Janguiê no dia de ontem. A proposta para o novo FIES pode ser resumida a uma volta ao passado, época em que o governo concedia bolsas aos estudantes sem nenhum critério de qualidade, ou seja, se o discente tirasse nota zero no ENEM, ele podia ser contemplado com uma bolsa de estudo. Um absurdo descomunal.

Para pode justificar sua proposta, o empresário utiliza, da pior forma possível, dados oficiais, além de omitir outros. Só para citar um exemplo, a maioria dos estudantes das universidades federais é egressa das escolas públicas e o FIES consome uma volumosa parte do orçamento do MEC que é destinado para o ensino superior.

Por outro lado, não custa lembrar que a atual regra só foi aprovada no final de 2014, durante o governo Dilma (PT), ou seja, após o aumento exponencial no número de bolsas concedidas que foi iniciado em 2011. Clique aqui para saber mais.

O empresário da educação não está preocupado com a qualidade do ensino, pelo contrário, utiliza o argumento de que o FIES deve dar oportunidades para defender, indiretamente, o derrame desenfreado de recursos públicos para as universidades/faculdades particulares.

Não estranharei se o ministro golpista da educação ceder aos apelos do seu ilustre amigo, mas isso não vem ao caso.

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