adorno
Theodor Adorno (1903-1969)

Na semana que marca a passagem do 50º ano do falecimento do filósofo alemão Theodor Adorno, voltar a ler seus textos é mais do que uma simples homenagem, é um exercício para compreender a atual realidade brasileira.

A crítica que ele desenvolve contra a denominada indústria cultural, a crítica contra a ascensão do fascismo, os estudos sobre a música e, principalmente, a crítica contra a sociedade administrada, controlada, técnica, colocam o teórico crítico no time dos principais filósofos do século XX.

No entanto, quero destacar a contribuição de Adorno para a área da educação. O conjunto de entrevistas, conferências e ensaios que foram organizados no livro Educação e Emancipação auxilia o entendimento do que acontece com a educação brasileira e, principalmente, o papel que ela tem na construção de uma sociedade democrática.

Não pretendo resenhar o livro, apenas destacar o que julgo ser o elemento central desta obra: a crítica ao nazi-fascismo e, notadamente, como a educação pode contribuir para que a barbárie não aconteça novamente.

A famosa citação contida no ensaio, Educação após Auschwitz, de que a principal tarefa da educação é evitar que a barbárie do maior campo de concentração nazista se repita é emblemática. Para ele, Auschwitz não deve ser repetida. “Ela foi a barbárie contra a qual se dirige toda a educação”, e emenda: “a barbárie continuará existindo enquanto persistirem no que têm de fundamental as condições que geram esta regressão.” Na continuidade do texto, o teórico crítico cita os fatores objetivos e subjetivos que contribuem para a perpetuação da barbárie.

Na entrevista que ficou intitulada Educação: para que?, Adorno é categórico ao afirmar que “toda ampliação quantitativa de nossa estrutura escolar implica imediatamente consequências qualitativas.” Após diagnosticar que a educação tem muito a declarar sobre a situação política e comportamental do mundo, e que sua função não é modelar as pessoas, muito menos ficar restrita a transmissão de conhecimentos, Adorno aponta que a tarefa principal da educação é constituir cidadãos emancipados e dispostos a construir a democracia, orientando o ser humano para o mundo.

Fruto de outra entrevista, A educação contra a barbárie identifica que a barbárie existe em toda parte que há uma regressão a violência física. Por outro lado, identifica que a reflexão pode servir tanto a dominação cega como ao seu oposto. Adorno defende que a tarefa da escola é “dotar as pessoas de um modo de se relacionar com as coisas”, além de ser favorável ao fato de que o sistema educacional comece a ser inteiramente tomada pela aversão a violência física.

O último texto que destaco, denominado de Educação e emancipação, é onde Adorno apresenta um caráter mais propositivo, destacando a importância da educação para a construção de uma sociedade democrática. Para tanto, recorre a Kant, mais precisamente a reflexão que o autor da três críticas desenvolveu em torno da temática educacional. Para o frankfurtiano, diante das adversidades impostas pela sociedade administrada e controlada pelo Capital, o grande desafio da educação é tornar o indivíduo emancipado, autônomo e livre.

Relembrar, mesmo que sumariamente, de algumas passagens de Adorno possibilita elaborar um diagnóstico de situação do Brasil, como também elucidar questões educativas. A reflexão adorniana pode nos auxiliar na constituição de uma resistência contra o obscurantismo dominante e que permeia o debate educacional dos dias atuais, possibilitando, de forma dialética, edificar as condições de superação da barbárie.

 

 

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